Antipetismo: O ouro de tolo das análises política

Como bem asseveraram Marx e Engels, a ideologia dominante é a ideologia da classe dominante. A burguesia brasileira, através dos extraordinários e poderosos meios de propaganda de que dispõem, não só teve condições de construir um sentimento negativo, por parte de significativa parcela da população brasileira contra o PT, como construiu a ideia que contamina a análise de muitos integrantes da esquerda: de que esse sentimento negativo denominado de “antipetismo” é algo dado, imutável e determinante nas disputas políticas do período.
Por insuficiência crítica de análise, por ignorância, oportunismo, cretinismo ou de tudo um pouco, vemos alguns reproduzirem no campo da esquerda a análise pueril de que a mais importante organização da classe trabalhadora do país está inviabilizada politicamente, ou ao menos por hora, por existir um sentimento de “antipetismo” na sociedade. Como se fosse possível criar, de uma hora para outra, uma expressão popular capaz de capitanear uma reação de combate ao fascismo e seu apocalipse neoliberal. Trata-se, então, para esses tolos, de esconder o PT, tirar-lhe o protagonismo, renunciar a Lula como candidato. Se o antipetismo fosse, de fato, um fenômeno real, Lula não seria sempre o nome mais lembrado como candidato à presidência em todas as pesquisas de opinião desde que deixou o cargo em 2010, com mais de 80% de aprovação. E, desde então, perseguido pela direita política do país.  Mas, nem tudo é tolice. Parte dos que reproduzem essa propaganda, inclusive figuras institucionais dentro do próprio PT, não estão, de fato, comprometidos e preocupados com a luta contra a burguesia e sua agenda de barbárie para o país e a América Latina. Estão preocupados em garantir uma melhor condição circunstancial para eleger um ou outro “mandatinho” parlamentar, ou circular alguma “novidadezinha” analítica nos corredores universitários ou redações.
Mas, estão comprando e tentando vender um ouro de tolo. Não existe um “antipetismo”, existe sim uma propaganda sistemática contra qualquer alternativa popular real de disputa do poder político no país. Já tivemos o anticomunismo, o antibrizolismo, agora o antipetismo e, se preciso for, o anti qualquer coisa no futuro.  Trata-se de combater a propaganda da burguesia e não de aceitá-la! Se, de fato, se criou um caldo de opinião contra a maior organização da classe, é preciso usar a voz para contrapor e recriar condições favoráveis, dando um sentido prático de eficácia política para ação dos militantes e dirigentes.
A narrativa do antipetismo é alicerçada na concepção de que a opinião pública deixa de se identificar com o PT porque o partido teria aderido, como modo de operação, à corrupção sistêmica. Como acreditamos que isso não é uma verdade histórica, defendemos que o PT, ao contrário do que apregoam os apologistas da tese do antipetismo, seja protagonista das intervenções políticas no Brasil e na América Latina, em defesa do povo trabalhador e em prol da autodeterminação dos povos.
O PT não deve se esconder das eleições apenas porque os nossos inimigos dizem que somos algo que não somos. Não podemos basear nossa estratégia de lutas – no âmbito eleitoral, sobretudo – a partir da narrativa e opinião de quem quer nos ver derrotados.    
As criações de Frentes de Esquerda, com fins eleitorais, são importantes para garantir a unidade popular contra a ascensão reacionária no país, não para esconder o PT. Ao contrário: o PT deve protagonizar a formação dessas frentes, inclusive não encabeçando elas em alguns casos, mas sem abrir mão da defesa de seu legado e da liderança de Lula.
Não se engane com ouro de tolo, não compre gato por lebre. Não existe saída para luta sem enfrentar a ideologia dos inimigos, sem denunciá-la, desnudá-la e derrotá-la. Deixem o antipetismo para seus criadores. Para nós, vale o PT, Lula, a esquerda e um anti: o anti-capitalismo!

Luciano Lima
Vice-Presidente do PT Pelotas/RS
Bacharel em Direito – UFPEL
Mestrando em Ciência Política – UFPEL

Ronaldo Quadrado
Estudante de jornalismo UFPEL