Chapa 420: Em tempos de guerra, a esperança é vermelha

Em tempos de guerra, a esperança é vermelha 

Vivemos tempos de guerra. Guerra de ricos contra pobres. Guerra de empresários contra trabalhadores. Guerra do agronegócio contra os camponeses, indígenas e quilombolas. Guerra de latifundiários urbanos contra o povo sem teto. Guerra de especuladores contra aposentados. Guerra de machistas contra as mulheres. Guerra de racistas contra negros e negras. Guerra dos intolerantes contra as LGBT. Guerra de conservadores contra a juventude. Guerra de fascistas contra as liberdades democráticas. Guerra da ignorância contra a educação libertadora. Guerra dos imperialistas contra as nações periféricas. Guerra do capitalismo contra a humanidade. Guerra da morte contra a vida.

Por todo o planeta, a extrema direita e o neoliberalismo produziram um ataque global aos interesses das classes trabalhadoras, à democracia e aos direitos fundamentais. Os valores da igualdade, da solidariedade e as políticas baseadas na justiça social são alvos de ataques duríssimos do capitalismo e do neofascismo. No Brasil, da mesma forma, estes valores são alvos das mais variadas infâmias e golpes. As agressões às liberdades individuais, a criminalização dos movimentos sociais e dos partidos de esquerda e a retirada de direitos sociais no Congresso Nacional são a atualidade de um país corrompido por um golpe político, que afastou um governo democrático e legítimo para aprofundar as políticas recessivas e privatistas, e restringiu os direitos dos brasileiros na escolha de seu futuro. Este quadro foi determinante na disputa eleitoral de 2018 onde a esquerda sofreu, não apenas uma derrota eleitoral, mas também uma derrota política de cunho estratégico.

A classe trabalhadora, o povo pobre, camponeses, indígenas, quilombolas, sem-teto, aposentados, mulheres, negros e negras, FGTS, juventude, democratas, povos de todo o mundo precisamos vencer esta guerra. Só assim teremos um mundo em que caibam todas e todos, só assim teremos igualdade, liberdades democráticas, soberania, integração, outro mundo possível, o socialismo. Ou vencemos esta guerra, ou será a barbárie.

Nossos inimigos têm a seu favor o Estado, os grandes meios de comunicação, o poder econômico, a manipulação de corações e mentes. Nós, das classes oprimidas e dominadas, temos a nosso favor a organização. É a organização que nos permite conscientizar, mobilizar, lutar, resistir, é a organização que nos permite, mais cedo ou mais tarde, conquistar o poder para as classes trabalhadoras poderem construir um novo Brasil e um novo mundo.

Além disso, ficou claro o esgotamento da estratégia adotada pelo Partido, incapaz de dar conta das necessidades da nova etapa na qual entrou a luta de classes no Brasil. Portanto, ou promovemos uma reorientação na linha política e no comportamento prático do Partido, ou sofreremos novas e ainda mais profundas derrotas no período histórico que se abre.

Quando criminalizam o pensamento de esquerda, reprimem os movimentos sociais, sufocam o sindicalismo, matam Marielle, prendem Lula, tentam cassar a legenda do PT, nossos inimigos buscam inviabilizar a organização da classe trabalhadora. Frente a cada um destes ataques, nossa resposta é e continuará sendo organizar um partido para tempos de guerra.

Se quisermos vencer, devemos começar nos libertando de todas as ilusões. A ilusão dos que acreditavam que se a esquerda desistisse da revolução e do poder, a direita desistiria dos golpes e das ditaduras militares. Que se desistíssemos da expropriação dos capitalistas, estes aceitariam a distribuição de renda e poder. Que se deixássemos de lado o anti-imperialismo, os EUA e seus amigos aceitariam a integração regional e respeitariam nossa soberania. Que se a esquerda fosse a campeã do republicanismo e do “estado de direito”, o outro lado abriria mão do “estado da direita”.

O que aconteceu, todos sabemos: o golpe de 2016, Lula preso, um cavernícola na presidência, o Brasil e a América Latina regredindo. Apesar disso, há setores que resistem em fazer a autocrítica das ilusões! 

Dizem que o golpe foi causado porque Dilma não soube “dialogar”; que as forças armadas apoiaram o golpe porque foram “provocadas”; que a condenação e prisão de Lula foram obra apenas de Moro e Dallagnol, não do “partido do judiciário”, do “partido da mídia” (Globo à frente), do “partido dos generais” e do Grande Capital. Que Haddad seria eleito se atraísse o “centro”; que o governo de Bolsonaro é frágil; que a libertação de Lula depende apenas de convencer este ou aquele juiz; que o grande empresariado já se deu conta de que era feliz e não sabia.

O valor dessas ilusões, todos viram no primeiro turno da reforma da previdência: ampla maioria a favor do governo (379×131), mostrando que não se trata de um governo fraco, mostrando de que lado está o “centro”, mostrando quem de fato é de esquerda e está ao lado do povo.

A esquerda brasileira sofreu uma derrota estratégica, que abre um novo período na história do país, de hegemonia política, ideológica e cultural dos setores conservadores em que não bastará uma política de resistência, mas um longo processo de disputa de valores capaz de articular uma frente de esquerda com capacidade hegemônica de liderar um bloco de forças políticas e sociais capaz de combater e derrotar os setores hoje vitoriosos.

A cada derrota, os semeadores de ilusões buscam novas. Não conseguem perceber que na luta de classes vale a máxima: se queres a paz, prepara-te para a guerra. Lula pode ser libertado, Bolsonaro pode ser derrotado, nossos inimigos podem ser divididos, podemos derrotar a direita nas eleições de 2020 e 2022, podemos voltar a governar o país. Mas para isso, só há um caminho: lutar, lutar e lutar. E os que vivem no mundo das ilusões, não conseguem lutar adequadamente.

A luta será mais ou menos longa, a depender: do que ocorra no mundo; das divisões na coalizão golpista; e, principalmente, de nossa capacidade de conscientizar, organizar e mobilizar a classe trabalhadora.

O 7º Congresso será palco de muitas batalhas: da democracia contra a fraude; do partido de luta, contra a legenda eleitoral; do partido antissistema, contra a politicagem tradicional e fisiológica; da oposição radical, contra a frouxidão; das reformas estruturais e do socialismo, contra a social-democracia e o social-liberalismo. Além disso, o 7º Congresso será uma batalha entre quem cultiva ilusões e quem semeia esperanças.

É necessário realizar reformas estruturais

O golpe de 2016 confirmou que o fato de termos conseguido vencer por quatro vezes as eleições presidenciais, não quer dizer que o PT e a classe trabalhadora tenham chegado ao poder.

O golpe confirmou, também, que para defender um governo eleito é essencial combinar luta institucional com mobilização social e disputa cultural, uma vez que parcelas fundamentais do aparato de Estado obedecem aos interesses da classe dominante.

O golpe confirmou, finalmente, que para transformar o Brasil não bastam distribuição de renda, políticas públicas e sociais: são necessárias reformas estruturais, que reduzam substancialmente o poder econômico e político dos capitalistas, inclusive para impedir golpes que não apenas desfazem os avanços, como também nos empurram de volta para uma situação em parte similar ao Brasil dos anos 1920: um país subalterno, uma economia primário-exportadora, desindustrializado, a questão social tratada como “caso de polícia”, um Estado de exceção com forte influência dos militares.

Alguns setores argumentam que entre 2003, quando Lula tomou posse pela primeira vez, e 2014, quando Dilma conquistou o segundo mandato, não havia correlação de forças para fazer muito além do que se fez: disputar eleições, governar, implementar políticas públicas que tiraram dezenas de milhões do Mapa da Fome, ampliaram o acesso à educação, à moradia, à luz, geraram renda e empregos, fortaleceram a soberania e a integração. Argumentam que se tivéssemos tentado implementar reformas estruturais, teríamos sido derrubados! 

Acontece que disputamos as eleições presidenciais em 1989, 94 e 98 e ganhamos as de 2002, 2006, 2010 e 2014; não fizemos nada além do permitido pela Constituição e, em muitos casos, ficamos aquém do que a Constituição previa. Mesmo assim o governo encabeçado pelo PT foi derrubado. E desde o golpe, a classe dominante vem tomando novas medidas com o intuito de impedir que possamos disputar eleições, assumir governos e adotar políticas públicas transformadoras.

O PT precisa adotar uma nova estratégia, adequada a esta nova situação. Ou seja, articular de uma nova maneira a luta cultural, a luta social, a luta eleitoral-institucional, a auto-organização da classe, as relações internacionais, a política de alianças, o programa e a questão do poder. O PT deve:

1) Estabelecer como principal objetivo programático implementar um conjunto de transformações para o Brasil que combine medidas democrático-populares com medidas socialistas.

O Brasil é um país de imensa desigualdade social. O caminho para superar esta desigualdade passa por derrotar o capital financeiro, os oligopólios, as transnacionais, o agronegócio, colocando a economia brasileira sob controle da classe que realmente produz as riquezas, a classe trabalhadora. Apenas nestes novos marcos estruturais, nossas políticas públicas – como o Sistema Único de Saúde – terão pleno êxito.

2) Estabelecer como principal objetivo estratégico a conquista do poder, isto é: converter as classes trabalhadoras em classes dominantes, não se contentando em ser governo e sem ter ilusões no caráter supostamente neutro do aparato estatal.

No Brasil, a classe dominante sempre controlou o poder de Estado, raramente tendo perdido o controle dos governos e parlamentos. Lutamos por um Estado de novo tipo, incluindo aí a democratização e regulação dos meios de comunicação, do sistema judiciário e das Forças Armadas, de tal forma que estejam a serviço da maioria da população brasileira.

A classe dominante tem “DNA” golpista e não tem escrúpulos em violar a lei e reprimir com máxima violência para fazer valer a sua dominação. Também por isso a classe trabalhadora deve lutar pelo poder, não apenas pelo governo. E a luta pelo poder só terá completo êxito quando a maioria do povo brasileiro fizer uma grande revolução política, social e cultural.

3) Abandonar a ilusão de que a classe capitalista, ou qualquer uma de suas frações, é ou pode vir a ser aliada estratégica das classes trabalhadoras. NÃO defendemos a construção, no Brasil, de um “capitalismo nacional, democrático e popular”.

A única aliança capaz de transformar o Brasil é a unidade entre a classe trabalhadora assalariada e a classe trabalhadora de pequenos proprietários. Uma frente popular que deve acolher todas e cada uma das lutas de todos os setores explorados, dominados e oprimidos. 

Nosso Partido luta com firmeza pelos direitos das mulheres, especialmente das trabalhadoras! Defendemos os direitos dos negros e das negras, que constituem a maior parte da classe trabalhadora, lembrando que o Brasil é um dos países com maior número de afrodescendentes do mundo inteiro. O PT está engajado nas lutas pelos direitos das lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros, num dos países onde mais assassinatos são cometidos contra esses segmentos da população. Estamos na linha de frente das batalhas em defesa da juventude, num país em que grande parte da população tem menos de 30 anos, filhos e filhas da classe trabalhadora. O PT coloca-se decididamente ao lado dos povos indígenas, que desde a chegada dos invasores coloniais vêm sendo vítimas de expropriação, massacres e todo tipo de violência. Estamos engajados nas lutas ambientais, incluindo aí a punição dos responsáveis pelos crimes de Mariana e Brumadinho e a reestatização da Vale. O PT é parte integrante da luta dos quilombolas, dos Sem Teto e dos Sem Terra.

4) Incluir em nossa política de alianças governos, partidos e movimentos de outros países, especialmente da América Latina e Caribe.

Nossa história é marcada pela subordinação e dependência às potências estrangeiras: primeiro aos portugueses, depois aos ingleses, hoje aos Estados Unidos. Subordinação que sempre incluiu a colonização do pensamento! O caminho para superar esta situação é enfrentar o imperialismo, afirmando nossa soberania nacional em todos os terrenos: econômico, político, militar e ideológico.

Privilegiamos a integração regional, reconstruindo instituições como a Celac e a Unasul e sustentando organizações como o Foro de SP. Devemos, também, estreitar as relações com os continentes africano e asiático; com os países árabes; e valorizar os laços diplomáticos com os BRICS: Rússia, China, Índia e África do Sul.

5) Travar a luta cultural, de ideias, de visão de mundo, a disputa de hegemonia necessária para construir uma consciência de classe socialista-revolucionária, democrática-radical e nacional popular.

Um exemplo prático está no debate sobre a reforma da previdência. Vivemos para trabalhar ou trabalhamos para viver? A sociedade deve ser baseada na solidariedade ou é cada um por si?

Outro exemplo é a luta pela liberdade de Lula e pela anulação de suas penas: para além da importância estritamente política que possui, também possui um enorme significado cultural. A prisão de Lula não visava apenas impedir a vitória eleitoral, nem visa apenas reduzir a capacidade de luta contra as políticas do governo Bolsonaro. A condenação e prisão de Lula têm imensa carga simbólica: visam paralisar, amedrontar e desmoralizar a classe trabalhadora, por meio do encarceramento da figura que simboliza o que de mais avançado esta classe produziu desde os anos 1970. Por isso, a luta pela libertação de Lula e anulação de sua pena possui importância transcendental.

6) Entender que a luta social (a mobilização independente das classes trabalhadoras em torno de seus objetivos imediatos), a luta eleitoral (a disputa por espaços no aparato estatal) e a ação institucional (dos mandatos, governos e de outras instituições do Estado) são diferentes formas que a luta de classes assume, sendo necessário analisar concretamente a centralidade de cada uma e a relação entre elas, a cada momento dado. 

Hoje, a centralidade é da luta social. E nossa participação nas eleições de 2020 deve estar a serviço de uma tática nacionalizada de oposição radical ao governo Bolsonaro, com uma política de coligações eleitorais coerente com isso.

7) Compreender que estamos numa época internacional de crises, guerras e rupturas, que torna ainda mais atual a luta pelo socialismo.

O PT é um partido socialista, luta contra a exploração do trabalho pelo capital, defende a derrota e a superação do capitalismo. A crise internacional de 2008 demonstrou que o capitalismo segue extremamente instável, propenso a crises brutais, que se desdobram em “guerras” comerciais, políticas, culturais — e guerras propriamente ditas. Essa crise também revelou que o capitalismo neoliberal é incapaz de reformar a si mesmo: é cada vez menor a chance de convivência pacífica entre, de um lado, o capitalismo, e de outro lado as políticas de bem-estar social e as liberdades democráticas. Assim como é cada vez menor a chance de convivência pacífica das grandes potências entre si e destas com os países periféricos. As lutas entre as classes sociais dentro de cada país, bem como as disputas e conflitos entre os Estados nacionais, tendem ao acirramento.

Parte da esquerda brasileira não acredita nisto. Por isso, deixa o socialismo na “fila de espera”. Antes de 2008, fazia isso porque considerava que o socialismo não seria necessário ou pelo menos não seria urgente. Afinal, estaríamos conseguindo avançar, melhorar a vida do povo, ampliar as liberdades, afirmar a soberania, construir a integração regional, mudar pouco a pouco o mundo, mesmo sem tocar nas bases estruturais do capitalismo existente no Brasil. E agora, aquele setor da esquerda defende continuar mantendo o socialismo na “fila de espera”, porque pensa que a tarefa seria resistir, impedir o desmonte, recuperar o terreno perdido. E depois, quem sabe, quando tudo voltar ao normal, recolocar na ordem do dia bandeiras de mais longo prazo, tais como o socialismo.

Os que pensam desta forma convertem o socialismo em absolutamente nada: não seria necessário quanto a classe trabalhadora está forte e não seria factível quanto está fraca.

A experiência latino-americana (1998-2018) e a experiência da socialdemocracia europeia (1945-91) demonstram que a sobrevivência das reformas e dos avanços depende não do capitalismo, mas sim da correlação de forças entre capitalistas e classes trabalhadoras. E por mais que as classes trabalhadoras melhorem suas posições, se elas não avançarem sobre a propriedade dos meios de produção e dos instrumentos de poder, os capitalistas sempre terão os meios para “colocar as coisas no seu devido lugar”. Por isso é que consideramos imprescindível adotar uma estratégia socialista, ou seja: uma estratégia que visa fazer a classe trabalhadora construir e conquistar os meios de produção e os instrumentos de poder.

8) Priorizar a auto-organização independente das classes trabalhadores. O caminho para mudar o Brasil passa pela luta contra os capitalistas e a principal arma da classe trabalhadora nessa luta é a organização: os sindicatos, os movimentos, as entidades estudantis, a UNE e UBES, o MST, a CUT, a Frente Brasil Popular e, com destaque, o PT.

Todas as organizações do campo democrático, popular e socialista estão chamadas a mudar seus métodos de trabalho e atuação, especialmente em quatro terrenos: a) funcionamento e método de direção, b) organização de base e relação cotidiana com as classes trabalhadoras, c) mobilização e luta de massa, d) comunicação e formação política.

 A questão organizativa central é nosso diálogo e enraizamento junto à classe trabalhadora. Temos uma classe trabalhadora diferente, mais precarizada, mais influenciada por pensamentos capitalistas e de direita.

O desafio de organizar a classe trabalhadora inclui políticas de comunicação de massa e a construção de núcleos de base, casas do povo e centros culturais, enraizando o petismo nos locais de trabalho, estudo e moradia. Inclui, também, políticas de assistência social e ação direta do Partido junto a quem foi empurrado para o desemprego e a miséria. Inclui, ainda, financiamento militante e de massa, bem como políticas permanentes de comunicação e de formação. 

Sem este nível de organização, não teremos nenhuma chance contra a operação que a máquina do Estado está promovendo contra a classe trabalhadora e contra o PT.

As instâncias partidárias devem ser capazes de agir no dia a dia da luta de classes, dirigindo um partido que faça política também nos anos ímpares, não apenas em anos de eleição. 

As direções atuais do PT não funcionam coletivamente, são pouco executivas, com dirigentes atuando como num parlamento. Para agravar, há governadores eleitos pelo PT que afrontam publicamente as posições do Partido, sem que a atual direção os enquadre. E há tendências que atuam como partidos-dentro-do-partido, convertendo o PT em mera legenda eleitoral e tratando a base como “massa de manobra”, convocada a cada quatro anos para eleger as direções e depois mandada de volta para casa.

Para poder dirigir a luta cotidiana e a luta pelo socialismo, o PT precisa ser de massas militantes, que participem de organismos de base, com acesso à comunicação e à formação política; que sustentem financeiramente o Partido; e que não apenas elejam, mas também controlem os parlamentares, dirigentes e figuras públicas do Partido.

Entre as medidas indispensáveis e urgentes, citamos:

*uma política de comunicação de massas que articule um jornal impresso nacional, revistas, rádio, televisão e redes sociais digitais;

*reconstruir a rede de organizações de base e fortalecer as instâncias em detrimento dos centros de comando paralelo localizados, principalmente, nos gabinetes parlamentares e executivos;

*ampliar a influência do petismo na classe trabalhadora, com atenção especial para as mulheres, juventude, negros e negras, moradores da periferia e setores do povo que hoje estão sob influência de concepções políticas e religiosas conservadoras;

*construir um feminismo socialista que contribua para organizar a luta das mulheres trabalhadoras e que supere na prática o machismo que continua presente na sociedade e nas organizações do povo;

*construir uma JPT militante e de massas, que supere seu profundo processo de dispersão, desorganização e burocratização;

*retomar e massificar o trabalho de formação, com ênfase nos aspectos político-ideológicos e teóricos;

*viabilizar o autofinanciamento do Partido, que não deve depender nem de recursos empresariais (como antes), nem do financiamento público (como agora).

VIVEMOS TEMPOS DE GUERRA

A coalizão responsável pelo golpe de 2016, pela prisão e interdição de Lula, e pela vitória de Bolsonaro, não quer apenas nos derrotar. Quer destruir a esquerda, a começar pelo PT. Porque a direita não tem dúvida sobre o papel histórico do PT. Sabem que sem o PT, não será possível derrotar o golpismo, nem convocar uma Assembleia Nacional Constituinte. Sabem que na história do Brasil o petismo é a mais forte e a mais importante experiência organizativa de quem vive do trabalho, sofre opressão e dominação.

Para resistir e para derrotar a coalizão golpista, o PT vai precisar de uma nova estratégia, que nos permita reconquistar o apoio da maioria da classe trabalhadora, condição para trilhar um caminho que nos leve não apenas a uma vitória eleitoral, mas ao poder e ao socialismo. Precisamos de um partido para tempos de guerra, orientado pela esperança vermelha de quem sabe que o futuro da humanidade depende da vitória do socialismo.

No Rio Grande do Sul a situação econômica e política é possivelmente pior que o quadro nacional. Perdidas todas as ilusões, boa parte da classe trabalhadora ou pelo menos suas representações, percebem que o governo Eduardo Leite é totalmente alinhado com a pauta política e econômica do governo Bolsonaro e representa a radicalização da agenda neoliberal e privatista do antigo governo Sartori.

Com uma ampla base de apoio na Assembleia Legislativa, Leite aprovou em seis meses de governo a pauta mais nefasta tentada pelo governo Sartori sob a perspectiva do futuro da economia do Rio Grande: a privatização de todas as empresas do setor energético SEM O PLEBISCITO QUE ELE HAVIA MENTIDO NA CAMPANHA QUE FARIA PARA PODER SE DIFERENCIAR DE SARTORI E GANHAR A ELEIÇÃO.

Não contente com isso, viajou ao EUA com um filme propondo uma espécie de “Black Friday” do RS.

Não contente em já ter aprovado projetos retirando ainda mais direitos dos trabalhadores, anuncia no momento em que escrevemos estas linhas que “dificilmente” cumprirá sua promessa de campanha de pagar em dia os servidores, estes que não tem sequer reposição inflacionária a mais de um governo, muitos em situação de altíssimo endividamento e penúria em suas condições de sobrevivência.

O Governo Leite já se mostrou simpático a facilitar as licenças ambientais para um mega projeto de mineração no Rio Grande do Sul, começando com uma gigantesca mina em Eldorado do Sul, com altíssimo risco de contaminação do DELTA DO JACUÍ E O GUAÍBA, o que seria um dano irreversível as gerações futuras do Rio Grande. Um detalhe, dezenas e mais dezenas de Assentamentos do MST, onde está concentrada a maior produção de arroz orgânico do Brasil, estão nos planos de desapropriação para mineração. Além dos riscos anunciados de poluição em toda a região metropolitana, é importante lembrar que ainda somos um importante polo turístico. E é mais fácil turista visitar cemitério, que mina.

Segundo pesquisas, o Rio Grande do Sul é “O” estado com maior índice de evasão da juventude camponesa para a periferia das grandes cidades e de envelhecimento da pequena propriedade agrícola, engolida cada vez mais pelos grandes proprietários que produzem comodities para exportação (antes com veneno contrabandeado, agora permitido) e não alimento para o povo.

Também o Rio Grande tem hoje uma taxa de desindustrialização maior que a nacional, com indústrias fechando portas em todo o território do Rio Grande, o que é gravíssimo, já que a maioria de nossa população migrou para as maiores cidades. No Rio Grande do Sul, também houve o aumento da taxa de desemprego no primeiro trimestre; foi de 8,11% com relação ao fechamento de 2018, quando a porcentagem era de  7,4%. Também é importante registrar o aumento da taxa de informalidade no RS. Segundo o IBGE, em 2016 tinhamos 1,577 milhão na Informalidade no primeiro semestre, em 2019 chegamos a 1,718 milhão pessoas vivendo na informalidade. Empregados no setor privado sem carteira assinada, domésticos sem carteira assinada, empregadores sem CNPJ e trabalhadores por conta própria sem CNPJ.
Temos a combinação no RS de um Estado que abre mão das suas funções de estimulo ao desenvolvimento econômico e social, que privatiza empresas de áreas estratégicas, ao mesmo tempo que há congelamento e  redução dos Investimentos em Saúde, Educação e Segurança. Junto com isto aumento do desemprego e da informalidade. Teremos um desastre social, também no RS.

Frente a este quadro, é fundamental a constituição de forma permanente de uma Frente Política e Social que se contraponha ao Modelo Neoliberal de Bolsonaro e Leite. Uma Frente de Esquerda capaz de propor um outro modelo de desenvolvimento para o Estado e País. Forjada nas Lutas Sociais e que tenha estatura e coerência na representação política institucional.

O projeto de Eduardo Leite, reafirmamos, é a continuidade radicada do projeto do Sartori e precisa ser combatido tal qual tudo o que representa o governo do Bolsonaro.

Mas os problemas da atual direção estadual do PT, muito se assemelham aos problemas nacionais: burocratização, falta de acompanhamento do interior que, registre-se, sente-se abandonado na maioria dos municípios, centralização das decisões e, por consequência, pouca operacionalidade em todas as tarefas: de elaboração, articulação política para dentro, para fora e com a sociedade em geral.

Resultado disso é retrocesso organizativo. Resultado disso é menor capacidade de elaboração e formulação política; é retrocesso na articulação política para dentro e para fora; a menor capacidade de disputa de hegemonia; maior moderação e menor combatividade; menor disposição e mobilização da militância.

Precisamos reverter este quadro, com unidade política, basta implementarmos a orientação consensual do Diretório Estadual do PT: “ficou claro o esgotamento da estratégia adotada pelo Partido, incapaz de dar conta das necessidades da nova etapa na qual entrou a luta de classes no Brasil. Portanto, ou promovemos uma reorientação na linha política e no comportamento prático do Partido, ou sofreremos novas e ainda mais profundas derrotas no período histórico aberto depois do segundo turno das eleições de 2018. ”

VIVEMOS TEMPOS DE GUERRA NO MUNDO, NO BRASIL E NO RIO GRANDE!

Lula Livre!! Viva o Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras!!