Rossetto apresenta suas propostas em entrevista à Rádio Gaúcha

“Quem defende esse ajuste não tem filho em escola pública, não vai ao posto de saúde de manhã pegar uma ficha de atendimento. É quem mora em condomínio e tem segurança privada. Temos que inverter essa situação” 

 

O candidato ao governo do Estado pela coligação Por um Rio Grande Justo (PT-PCdoB), Miguel Rossetto, iniciou esta terça-feira (18/9) concedendo uma entrevista ao programa Atualidade, da Rádio Gaúcha.

Durante 15 minutos, Rossetto falou sobre suas propostas para recuperar a malha viária; otimizar o orçamento do estado; buscar apoios e pagar em dia os salários dos servidores. Ele abordou ainda o regime de recuperação fiscal, que chamou de “cruel”; a experiência para governar na crise; a relação com o governo federal; e a atual política do governador Sartori, defendida pelo candidato Eduardo Leite.

Confira o que Rossetto defendeu sobre cada tema:

Malha Viária

A primeira pergunta que lhe foi dirigida referiu-se aos planos do candidato para melhorar as condições das estradas e garantir a duplicação da malha rodoviária gaúcha. Rossetto foi objetivo na resposta, afirmando que o Estado tem o dever de garantir a boa manutenção das estradas com investimentos, a exemplo do que fez Tarso Genro quando governou o RS. “Nós asseguramos 5 bilhões de reais de instituições financeiras internacionais e são esses recursos que estão sendo utilizados hoje para a manutenção das estradas do RS”. Ele disse ainda que a Empresa Gaúcha de Rodovias é um instrumento importante para a gestão da malha viária, porém, “mal pilotado” pelo atual governo.

O candidato disse, também, que irá recuperar os conselhos regionais de pedágio e concluir a duplicação da RS 118 e da RS 122 com a participação da comunidade da Serra. Sobre as rodovias federais, Rossetto disse que irá retomar os investimentos do Governo Federal nas BRs, como a 116, a 290 e a 386. “O que não pode acontecer são pedágios caros sem investimentos e nem essa demonstração de incompetência absoluta como o abandono da Free Way. O Governo Federal e o Governo Sartori demonstram total irresponsabilidade com o RS”, disse.

Orçamento do Estado

Indagado sobre como vai lidar com o déficit orçamentário de R$ 7,3 bilhões em 2018, a promessa de pagamento dos salários dos servidores públicos em dia e o equilíbrio das contas do Estado, Rossetto voltou a afirmar que esses números são testemunho da incompetência do atual governo, que aprofundou a crise. “O drama é que, sobre esses números, ainda temos que considerar os 5 mil policiais a menos no RS, a dívida com a saúde pública que está entre 350 e 380 milhões de reais e ainda os 33 meses de atraso no pagamento de salários de professores e de policiais. Ou seja, o ajuste fiscal protagonizado pelo atual governo foi totalmente equivocado e é o povo que está pagando a conta”.

Rossetto ainda fez a seguinte ponderação: “O governo Sartori se dedicou a vender as ações do Banrisul, no entanto ficou calado e paralisado enquanto o polo naval de Rio Grande estava sendo destruído; se dedicou a demitir 5 mil policiais, enquanto as empresas da indústria calçadista no Vale dos Sapateiros estão sendo fechadas; virou as costas para a saúde pública enquanto 25 mil agricultores produtores de leite abandonaram a atividade econômica”, exemplificou. O candidato se comprometeu a tirar o Rio Grande da crise com crescimento econômico. “Temos que ter uma política austera, correta, combater privilégios e sonegação, cuidar bem dos gastos, ir atrás de investimentos federais, de investimentos privados, de financiamentos internacionais, liderar uma agenda positiva”.

Apoios

Rossetto prometeu buscar o espaço fiscal e rediscutir a dívida com o futuro presidente. “Essa agenda de Temer, Sartori e do PSDB é responsável pela ampliação da crise. Penso num país e num RS que volte a crescer e recuperar a esperança, por isso é tão importante o debate nacional junto com o debate das candidaturas estaduais. Tenho orgulho de ser apoiado por Lula e defendo a candidatura de Haddad e Manuela como alternativa para o Brasil voltar a crescer, o que vai ser importante para o RS”, afirmou.

Salários dos Servidores

“O dinheiro existe e vou priorizar o pagamento dos salários em dia. Governar é fazer escolhas e essa é a minha escolha”, sentenciou Rossetto.

Regime de Recuperação Fiscal

Para Rossetto, o governador Ivo Sartori e o candidato a governador pelo PSDB, Eduardo Leite, querem continuar com esse ajuste cruel que destrói a educação, e quem paga é 85 % da juventude gaúcha, que está na escola pública. “Quem defende esse ajuste não tem filho em escola pública. Quem defende essa agenda política do Sartori e do Leite não vai ao posto de saúde de manhã pegar uma ficha de atendimento. É quem mora em condomínio e tem segurança privada. Temos que inverter essa situação”, afirmou o candidato petista.

Experiência na crise

O candidato ao Piratini pela coligação PT/PCdoB admite que, se eleito governador, vai encontrar grandes dificuldades para administrar o Estado. No entanto, lembrou a todos: “Tenho experiência em governar o Estado em crise. Foi assim em 1998, quando fui vice-governador de Olívio Dutra, e vários partidos diziam que, se não vendêssemos a Corsan e o Banrisul, não conseguiríamos pagar os salários em dia. Não vendemos a Corsan e o Banrisul, não vamos vender e nunca atrasamos salários.  Isso significa ter compromissos claros e fazer as escolhas corretas”.

Relação com o Governo Federal

Rossetto lembrou que hoje há decisão judicial do STF favorável ao RS em relação ao ressarcimento da Lei Kandir, mas que o atual governador não tomou nenhuma atitude em relação a isso: “Essa postura omissa e submissa à Brasília eu não vou ter. Governador tem que defender o nosso Estado e o nosso povo. Vamos sair da agenda de derrotas e entrar numa agenda vitoriosa de crescimento e resolução dos problemas”, disse.

“Conheço Brasília e Brasília sabe se defender. Esta condição que o governo Temer e os demais partidos nos impõem é insustentável”, depôs o candidato. Ele lembrou que a Emenda Constitucional 95, que congela os gastos públicos por 20 anos, não pode continuar. “Não vou aceitar isso e vou trabalhar para reverter. O governador tem liderança política para liderar mudanças”, afirmou.

Sobre o atual governador

Miguel Rossetto alertou os ouvintes sobre as meias verdades que o atual governador apresenta. “O governador Sartori trabalha com a meia verdade: quem reduziu a dívida do RS com o Governo Federal foi a presidenta Dilma e o governador Tarso Genro, junto ao Congresso Nacional. Isso se deu em 2014, quando houve redução do custo da nossa dívida em 22 bilhões de reais. Essa foi uma conquista nossa”, frisou.

Com relação ao projeto de recuperação fiscal, Miguel Rossetto afirmou que a assinatura de tal acordo com o Governo Federal será muito ruim para o RS e, ao contrário do que afirma Sartori, isso impedirá a ampliação da contratação de policiais e professores. “Caso esse acordo seja assinado, a única possibilidade legal que nos resta é a reposição de efetivos. Não se faz política e não e se respeita um povo com meias verdades. E essa alternativa que estão construindo para o RS é em cima de meias verdades. Por isso, somos contra essa proposta do Temer e do Sartori. Não posso aceitar que nos próximos 3 anos não possamos ampliar o efetivo de policiais e o povo gaúcho continue vivendo neste ambiente de violência e insegurança”, finalizou.

Texto: Letícia Vargas

Foto: Ubirajara Machado

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